domingo, 30 de setembro de 2012

Essência


Deixo a essência de minha vida entrelaçada
Em vultos do entardecer
Trago soluços de sentimentos ocultos,
De razões sem destino, de desatinos.
Levo para o dia o que me faz uma,ou talvez,muitas.
Deixo aqui apenas o que sou hoje.
Carrego a vaidade na luxúria,
Porque a inocência de mim já fez vez.
Sorrio para o alto
À revoada junto meu canto
Na tempestade me aprumo
E na liberdade descubro meu encanto.

Metade (Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Me trago

 Me trago
         Me embebo
    Me percebo
     Me torno
  Me estorno
Fui...
                                   Ainda é cedo

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tatuagem (Chico Buarque)



Tatuagem

(Chico Buarque)

Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...
E também pra me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...
Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...
E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...
Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...
Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva...
Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...

Frase I


“Hoje sentei-me na lua...
Peguei uma estrela...
E viajei nas asas de um pássaro...
Amanha farei festa com os vaga-lumes.
(Acelone)

domingo, 2 de setembro de 2012

Feita de pedaços

Eu não me defino,porque a cada dia sou...Não quero apenas chegar, tento estar sempre.Procuro viver onde me limito, se me  ultrapasso,fujo para minha louca liberdade...Corro ao encontro de mim mesma...me aquieto.Grito ao sol um pouco de legria e ele me recompensa com as estrelas.Meu sorriso reservo ao vento que o levará a quem mereça.Se me conheces,não me reveles,porque perderei a graça.Se me amas,ama-me a cada dia, a cada estação, com um só coração...Não me definas, porque sou feita de pedaços,me junto aos poucos para formar-me."
(Acelone- Jan/2011)

Sou



Sou mulher...sou menina
Sou poeta...sou divina.
Descalço...
celebro a vida.
Persigo sonhos
e tenho alma ferida
Não quero o finito
preciso do novo pra ter motivos
Sou livre na minha loucura...
refém do destino.
O silencio é meu escudo
e  os versos meu refugo.
(Acelone-Nov/2010)

Vem dançar comigo...


Quero bailar nas paisagens da lua
Ouvir o som das nuvens
Dançar no teu mundo...
...na tua rua.
Quero ouvir a canção que fiz nossa
dançar sobre tua boca com passos de bailarina
ou sobre teu corpo como uma louca dançarina.
Flutuar em teus braços como pluma ao vento
e sentir-me inteira plena no tempo.
Quero sentir tua respiração em minha nuca
tuas mãos deslizando em minhas curvas
teu toque saciando meus desejos
e a música embalando nossos beijos.
Quero dançar a dança do amor
Rodopiar junto ao teu corpo sem destino
Quero a canção da primavera em meus ouvidos
e um mundo só nosso em desatino
Quero esta dança contigo...
Vem dançar comigo!!
(Acelone Custódio-Out/2010)